quinta-feira, agosto 28, 2014

O louco e a luz


Sinto no meu peito um absurdo
que pensa ser medida
Quer alcançar o vento
como entendimento

Deseja ser engenho,
empenhar cada traço de rosto
como começo de um novo
roteiro e ciência

Mas há nuances cinzas,
até no céu anil
Há o concreto que corta
o fio da sensibilidade
como teia de bicho

E o desvio do poema
em vida traceja
As entrelinhas do enigma
sem manobra prevista

Quem sabe hora, pista, visão,
me traga a despeito
Enquanto afio no pulso essa lâmina sensível
que condensa a escrita e abre caminhos

E ainda fala de esperança baixinho,
regenerando ao olhar
O pão da transformação
de cada dia.

terça-feira, agosto 26, 2014


Diluí minhas veias
na trilha
do papel
(a)tingido

Fora sem mapa,
sem destino
E por si só,
as cores foram caminhos

Esbarrei às teias
das entrelinhas
Embebi meus nós
em texturas não-ditas

E o corpo nu
se partiu em tinta
E todo o dizer
na língua

Silenciou
no descobrimento
e se engasgou
em ternura e malícia

Para se desculpar
a mãos livres
Com o tato pelo
sangue do novo

e doce
enxague
dos delírios.

Foto Gabriela Schmidt


segunda-feira, agosto 04, 2014

Pista


Quero valsar
com suas palavras
não ditas

como
as gotas
dessa chuva repentina

sussurram
desejos
aos meus ouvidos

e secura aos lábios
tingidos
de melodia

segunda-feira, julho 14, 2014

O buquê dos sentires


Eu encontro versos
como quem tece teia e tinta
Das nuvens cinzas
à estrada florida

A medida do inspirar
surge como métrica do olhar
Se permite ao ver
e vê além do tocar

É como atinar a melodia
através do silêncio,
sentir o vento fertilizar
a terra e os próprios pés

Pela aventura de reinar
soprando versos anônimos (e de todos)
Que da métrica só as idas
e vindas permite preservar


segunda-feira, julho 07, 2014


Flutuo sob as águas
e o céu azul é
quem me mergulha

Ao compasso que move
marulhando,
condensando a calma
como sussurro

Desfila sob
a brisa da tarde,
à estria d'água
que decodifica

Um poema a
prova de caligrafia

Me engana e engole
seu azul celeste
- translúcido
e tinta

Que em si só
conta meu conto
Enquanto enxagua
meus olhos

E mesmo debaixo
d'água, me lavra
a boca de poesia.


sexta-feira, junho 13, 2014

Ao doce cravejar da memória


Bebe do vinho

o rubro
que também escorre
em meu sangue


Refinando sua própria doçura
como a linha tênue
das veias
e deste instante
Em que se canta a vida
pura nascente
dos lábios

Viva no corpo

ao efêmero de recordar
na matéria mecânica,
o sublime


Desmistificada e claramente,

vide a própria lua cheia em histórias
Tenra do prazer de seus mistérios
pulsantes.

segunda-feira, maio 12, 2014


Nasci de sentidos

voltados a emoção
Me comovo fácil - neste mundo
aonde até beleza pode urgir fácil


Os traços simétricos
de um rosto felino
As vivas cores
de flores despretensiosas

Falam uma canção
que nos presenteia
- vivendo o olhar
em surpresa

Transpasso o caminho
não só deixando pegadas
Mas escrevendo versos da poesia
que é andarilha

Ela harmoniza e agracia
em forma desse fruto em suspiro
Perfumes abrindo trilhas...

Se infiltra no vento,
brinca de orvalho,
me abana rabos caninos

E se alarga ao fim
sem precisar de rima,
quando assim sorri