Terça-feira, Maio 08, 2012

As estradas de sempre, como nunca

*
"Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas.
E me encantei.''

(Manoel de Barros)


O café perpassa a boca
justificando no hábito
uma história aromatizando
a própria terra

Entre cores que retratos não alcançam,
que traços almejam,
e só o horizonte remonta há tanto
e todo tempo...

Conduz o céu
como os claros olhos
Pacientes, vagos
ao teor da inocência brutalizada, interiorana.

Embarga até o apreço, tímido, 
nas raízes
Aonde um tanto mais, além,
semeia frutos tenros e precisos

Põe o fino encantamento
encomendando cada partícula
Soma a poeira, o bucólico,
a despedida

E mais um elo começado
emoldura a lembrança nova,
de uma velha paisagem;

desbravando estradas,
florescendo pés.

Segunda-feira, Abril 23, 2012



   R E S P I R A  

   O  Q U E  T E 

   I N S  P I R A

Terça-feira, Abril 10, 2012

Notas puras como pulsações

-
Olhar pra trás não é condicionar o tempo em perdas,
mas sim contar as pulsações de todos os ganhos
como histórias e lembranças, a punho de manter-se vivo

Reconstituir o caminho de olhos inspirados, transformadores
De tudo que já é, a fazer parte do todo que nos completa
e por muito, conduz.

Contar laços como prosperidade contínua pra fibra do dia-a-dia
Mais que longevidade, mais que situações, pois,
não deve caber na palma das mãos o que nos carrega pelo mundo...

De não saber dizer qual é o tecido,
textura tão singular e tão repleta,
que brinda as cartas. as estradas,
a vida cheia de amor e poesia

Mas é por um coração que não para,
por seres que se encontram
pelo tempo que esbarra e preenche,
por toda palavra que só sabe sugerir

Que a profundidade abre as portas
e o mundo se transforma
Para os dias de nascer flores em asfaltos
na ânsia de sorrisos maiores que rostos

São as almas em floreio,
para além das estações
entre as escolhas plenas e as vezes tantas, (es)colhidas.

Quarta-feira, Março 28, 2012

A simplicidade como o mais do mesmo ou 'vulgo' necessário.

*
Compartilhar as mudanças do mundo como à si mesmo
é como beber a alegria compactada na taça mais agigantada
- a abóbada do céu inteiro!
Alimentar-se do canto dos grilos na aurora,
ainda sentindo o sonho presente...
Cumprimentar as borboletas do estômago com um sorriso
e uma nova ideia de fazer feliz a quem sopra essa brisa

É encantar-se do todo,
mesmo que as mãos estejam vazias.
Porque o retorno é vislumbrar cada uma dessas partes
nesse infinito de descrever e sentir,
a mais que possuir e descartar

Que se invente a si um nome de flor
e se brinde chegadas sem partidas,
pela unidade de ir e vir, ao simples de ser;
há mais caminhos do que o que vem pelo asfalto...!

Quarta-feira, Março 21, 2012

(Uma raridade)

*
Homens, não se deixem abreviar!
Abram todas as aspas de seu caminho
e façam o que há de sujeito se libertar

Auxiliar a si mesmo como conjugar o pŕoximo,
na figuração pura de tempo-espaço
O mundo embora singular é um substantivo
dos sujeitos mais plurais

Não se deixem enganar...!
Viver é doar-se
em literariedade.

Segunda-feira, Março 19, 2012

As asias das sinestesias em borboletas juvenis.

*
E pra distância que não nos mede
em signos para suas micropartículas,
o essencial é curvar-se como o vento
pelas frequências de existir-se

Pois a cada passo dado,
uma piscada de olhares semeados,
o que hora pode ser medo de rabiscar
não faz por menos o tempo passar...

E tudo que incentiva também dissolve
numa instantaneadade mista
que só a vontade de se entregar
saberá fazer latência e realização

Pra todos os lados que a cabeça girar
virá uma tempestade (de ideias, de chuva!) nova e plena
E alguém fará dança,
outro alguém aprenderá o caminho de casa,
e tudo vai circundar como se pra sempre
ou nunca houvera sido...


*

Passa o tempo e cria-se a vida

dentro de um casulo,

um mundo,

toda/via...

Segunda-feira, Março 05, 2012


E de nunca imaginar um amor sereno,
um dia o simples, o acaso
a beira do esquecimento
Fez um sopro de história ser real acontecimento

Um passo de encontro,
uma troca de poesia salgada dos dias
Que veio num enlaçe,
dissolver até os nós entre os dedos

Recontou um tempo,
descreveu a aleluia da vida, desmistificada
E ornamentosu olhos,
provocando o que é dito de paixão

a qual ardida,
pousou seus próprios ares e fuligens
em suspiros ditos dos mais vivos,
rendeu-se...

Deixando tecer o resto
no conjugar para os viventes
- e aí nosso pés se atropelaram,
resolvendo o enigma de um caminho
(não mais) solitário

- para o que de mais puro,
exista compartilhado.